
A Dra. Amel Karboul começou contando um momento específico: às 2h da manhã de 18 de abril de 2009, na Alemanha.
Ela tinha acabado de dar à luz, estava lutando contra uma infecção pós-parto e não conseguia dormir. No silêncio daquela madrugada, ela pegou uma revista de negócios e leu um artigo sobre migração e pertencimento. Algo mudou. Ela começou a pensar na própria trajetória, nos lugares em que se viu e nos espaços onde nem sempre se esperava que ela pertencesse.
Então, ela abriu o laptop e escreveu uma carta ao editor.
A editora-chefe leu a carta, e ela ficou emocionada. Meses depois, a revista alemã publicou um perfil sobre a Dra. Karboul. Esse perfil teve um alcance muito maior do que ela poderia imaginar. Chegou até a Fundação BMW, em Berlim, levando-a a um mundo além da sua realidade cotidiana e colocando novas questões diante dela: como se constrói confiança apesar das diferenças? Como você coloca dignidade em uma planilha?
Durante anos, a Dra. Karboul vinha aprendendo a ser excelente. Agora, ela estava começando a se perguntar para que servia, na verdade, essa excelência.
Então, uma revista tunisiana divulgou a matéria sobre Berlim. A notícia chegou até o primeiro-ministro da Tunísia, que ligou pra ela pessoalmente. Ela tinha experiência em mudanças, liderança e transformação. Será que ela ajudaria a construir o primeiro governo democrático do mundo árabe?
Ela tinha duas horas para decidir se aceitava o cargo de Ministra do Turismo.
A experiência foi difícil, uma lição de humildade e diferente de tudo para o que ela estava preparada. Isso a ensinou mais sobre serviço, poder e responsabilidade do que qualquer outro momento da vida dela.
A Dra. Karboul contou essa história como um relato sincero de como a vida realmente acontece. Nada disso tinha sido planejado desde aquele momento na Alemanha. Uma coisa simplesmente levou à outra, e ela continuou aparecendo.
“Não dá pra planejar a vida inteira”, ela disse à turma de 2024. “Só dá pra continuar tentando se preparar pra quando a vida te pedir alguma coisa.”
Os conselhos dela não se encaixavam em fórmulas prontas e simplificadas. “Mantenha um diálogo contigo mesmo”, ela insistia. “Faça as perguntas incômodas: O que eu valorizo? Em que aspectos estou fingindo? Que partes de mim querem, de verdade, ajudar os outros? Que injustiça me incomoda o suficiente para que eu faça algo a respeito?”
Ela também fez uma advertência para uma sala cheia de alunos a quem já tinham dito, mais de uma vez, que eram líderes. Ser identificado como líder muito cedo pode fazer com que as pessoas apenas finjam ser líderes, em vez de realmente exercerem a liderança.
A verdadeira liderança, disse ela, está na interseção entre serviço e dignidade. E quando o poder acabar chegando perto, você vai querer ter feito um trabalho interior suficiente para não se deixar deslumbrar por ele.
Ela encerrou com um convite simples, mas exigente. Não espere até que o caminho esteja livre. Aja antes de se sentir pronto. Seja ambicioso, mas deixe que essa ambição busque a profundidade, a verdade e algo que perdure além de você.
E quando chegar a sua hora das 2 da manhã, que você esteja acordado o suficiente para lidar com ela.





